sexta-feira, 31 de maio de 2019

Os Aliens e Nós - Parte 133


      “Cada gota de água naquele rego é um orbe, mais cheio de seres do que de homens é cheio um reino. Em todas as partes, neste imenso Plano de Existência, a ciência descobre novas vidas. A vida é um princípio que atravessa tudo, e até a coisa que parece morrer e apodrecer, gera nova vida, e dá novas formas à matéria. Raciocinando, pois, por evidente analogia, diremos: Se não há uma folha, nem uma gota de água que não seja, como aquela estrela, um mundo habitável e respirante, - e se até o homem mesmo é um mundo para outras vidas, e milhões e bilhões de seres habitam nas correntes do seu sangue, vivendo no seu corpo como o homem vive na terra, o senso comum (se seus homens eruditos o tivessem) bastaria para ensinar que o infinito circunfluente, ao qual chamam espaço, - o ilimitado Impalpável que separa a Terra da lua e das estrelas, - está também cheio de sua correspondente e apropriada vida. Não é visível absurdo supor que uma folha está cheia de seres e vida, e que seres vivos não existem nas imensidades do espaço? A lei do Grande Sistema não permite que se desperdice um só átomo, nem conhece lugar algum onde não respire algum ser vivo. Até o ossário é um viveiro de produção e animação. É verdade o que digo? Pois bem, se é assim, pode conceber que o espaço, que é o Infinito mesmo, somente seja um deserto sem vida, menos útil ao Plano da Existência Universal, do que o esqueleto de um cão, do que a povoada folha, do que a gota de água, cheia de seres viventes?”

      (“Zanoni”, E. Bulwer Lytton, Editora Pensamento, São Paulo, 1978, obra escrita em 1842, Página 248.)



(Marcos Nunes Filho – 31-5-2019)









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