“Cada gota de água naquele rego é um
orbe, mais cheio de seres do que de homens é cheio um reino. Em todas as
partes, neste imenso Plano de Existência, a ciência descobre novas vidas. A
vida é um princípio que atravessa tudo, e até a coisa que parece morrer e
apodrecer, gera nova vida, e dá novas formas à matéria. Raciocinando, pois, por
evidente analogia, diremos: Se não há uma folha, nem uma gota de água que não
seja, como aquela estrela, um mundo habitável e respirante, - e se até o homem
mesmo é um mundo para outras vidas, e milhões e bilhões de seres habitam nas
correntes do seu sangue, vivendo no seu corpo como o homem vive na terra, o
senso comum (se seus homens eruditos o tivessem) bastaria para ensinar que o
infinito circunfluente, ao qual chamam espaço, - o ilimitado Impalpável que
separa a Terra da lua e das estrelas, - está também cheio de sua correspondente
e apropriada vida. Não é visível absurdo supor que uma folha está cheia de
seres e vida, e que seres vivos não existem nas imensidades do espaço? A lei do
Grande Sistema não permite que se desperdice um só átomo, nem conhece lugar
algum onde não respire algum ser vivo. Até o ossário é um viveiro de produção e
animação. É verdade o que digo? Pois bem, se é assim, pode conceber que o
espaço, que é o Infinito mesmo, somente seja um deserto sem vida, menos útil ao
Plano da Existência Universal, do que o esqueleto de um cão, do que a povoada
folha, do que a gota de água, cheia de seres viventes?”
(“Zanoni”, E. Bulwer Lytton, Editora
Pensamento, São Paulo, 1978, obra escrita em 1842, Página 248.)
(Marcos
Nunes Filho – 31-5-2019)

Nenhum comentário:
Postar um comentário