Visitando Outro Planeta – 10 de 22
“Segundo declarei, o que mais me
impressionou nessa colossal metrópole, seja porque a sua harmonia me empolgava
tocando profundo o meu ser, seja pelo ato de estar sempre presente aos ouvidos,
era a maravilhosa música provinda dos céus.
Seria essa música a
sinfonia da própria natureza, classificada como sinfonia dos mundos? Aceitava-a
como sendo um milagre que me deixava perplexo e fazia-me aquilatar da
impossibilidade de um ente humano produzir semelhante maravilha.
Era a expressão da
suavidade doce e compassada, harmoniosa e confortadora, impregnada de algo
divinal que saturava o meu íntimo; enfim, uma sinfonia celestial executada para
a nossa alma.
Não sei dar uma
definição satisfatória, mesmo porque não sou músico. Entretanto, posso asseverar
que, emitido um som, simultaneamente outros quatro ou cinco surgiam,
continuando o primeiro a ser ouvido como se fora a base de sustentação às
demais notas musicais. Finalmente, tudo se entrelaçava de maneira
inexplicável, harmonizava-se, extinguindo-se numa só tonalidade.
(...)
Posso afirmar ser a música que ouvia
extasiante e arrebatadora e, para mim, significava não propriamente uma sinfonia, mas um sopro sobrenatural que me
enlevava os sentidos, predispondo-me ao exercício de ações magnânimas.
Ao seu ressoar, sentia
profunda calma, inigualável serenidade e um bem-estar indefinível que se
traduzia em disposição e confiança.
E... aquela maviosa
música persistia como um sedoso lençol sobre nossas cabeças.
Harmoniosos sons nos
envolviam e se estruturavam, formando verdadeira montanha musical.
Assim, aquele povo,
segundo soube, fica horas e horas se deleitando com a peculiar melodia que,
para eles, representa um prazer, ao par de substancial repouso espiritual e
consequente reconforto físico.”
(Páginas 156 a 158)
(Marcos Nunes Filho – 6-2-2021)

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