Visitando Outro Planeta – 7 de 22
“Meu irmão, disse ele,
possuímos uma aparelhagem assaz eficiente, de captação sensível, que nos
permite ver, ouvir e observar amplamente o sistema de vida dos terrícolas. Você
ignora a nossa possibilidade de conhecer e interpretar até as
formas-pensamentos emitidas pelo nosso homótipo.
Pode crer, de longa
data efetuamos excursões ao seu Planeta, onde colhemos material abundante para
estudos, quer no reino mineral, quer vegetal ou animal. Costumamos aportar
demoradamente na Terra e de visu, lá, fazemos estudos complementares que
se estendem até os animais de grande porte.
(...)
Ademais, mantemos
instalados sobre o vosso globo, de maneira direcional, verdadeiras estações
transitórias dotadas de aparelhagem conveniente, que nos permite captar as
imagens e projetá-las em nossos salões de estudos, onde equipes especializadas
se encarregam de acompanhar, pari-passu, todas as atividades científicas
dos seus países mais adiantados.
Não tenha dúvidas, meu
amigo, em crer que as nossas possibilidades de conhecer e saber o que se passa
no vosso mundo são vastíssimas! Assim, alongamos as nossas observações aos
hábitos, forma de vida, conceitos e preconceitos da humanidade que o habita,
pois chegamos a sintetizar as raças e os povos nos seus demarcantes usos e
costumes.
(...)
Essas magníficas
ilações têm o precípuo e salutar fito de robustecer a nossa fé, tornando-nos
mais gratos ao CRIADOR, por nos vermos colocados em um mundo pacífico, pleno de
quietude e amor, quando há outras criaturas postas em um mundo maravilhoso,
pleno de encantamentos, e, apesar de esclarecidas, o aviltam - modus
faciendi - com suas próprias ações, na difusão da maldade e no olvido de
que lá se encontram temporariamente.
(...)
A Terra, não se
encontrando nas condições dos mundos subdesenvolvidos, mas no estágio de mundo
esclarecido, onde seus componentes já distinguem, claramente, o bem e o mal, equipara-se
a um perigoso delinquente que, cônscio, infringe as leis e como tal precisa
ser permanentemente vigiado para não constituir possível perigo.
Em síntese, as
atividades de seus moradores alimentam uma caldeira em ebulição, onde as paixões
se fermentam na ânsia da riqueza, do domínio e de outras tendências inferiores,
ao ponto de não pouparem, sequer, os próprios semelhantes para a integral
satisfação de seus apetites. Utilizam-se de descobertas científicas para
engendrar a destruição e, sabemos, não titubearão em provocar maiores males na
fúria insana de se sobrepujarem, afetando, assim, a economia de outros planetas
que lhe são vizinhos.”
(Páginas 122 a 125)
(Marcos Nunes Filho – 3-2-2021)

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