ESCRAVIDÃO INVISÍVEL – 6 de 6
“O homem está firmemente convencido de
que vela, mas na realidade é apanhado numa rede de sono e de sonho que ele próprio
teceu. Quanto mais apertada é essa rede, mais poderosamente reina o sono.
Aqueles que estão presos em suas malhas são os adormecidos que caminham através
da vida como rebanho de animais levados para o matadouro, indiferentes e sem
pensamentos.
Os
sonhadores veem através das malhas um mundo quadriculado, só distinguem
aberturas enganadoras, agem de acordo com essa perspectiva e não sabem que
esses quadros são apenas os fragmentos insensatos de um todo enorme. Esses
sonhadores não são, como talvez o suponham, os lunáticos e os poetas: são os
trabalhadores, os sem-repouso do mundo, os possessos da loucura de agir.
Assemelham-se a escaravelhos feios e laboriosos que se arrastam ao longo de um
cano liso para nele mergulharem ao chegar lá em cima. Dizem que velam, mas
aquilo que julgam uma vida não é senão um sonho, determinado antecipadamente
nos mínimos pormenores e subtraído à influência de sua vontade.”
(Excerto do romance “Le Visage Vert”, de
Gustav Meyrinck, Ed. Émile-Paul Fréres, Paris, 1932)
(Texto citado em “O Despertar dos
Mágicos”, de Louis Pauwels e Jacques Bergier, Difel, São Paulo, no final do
Capítulo VIII da Terceira Parte.)
(Marcos
Nunes Filho – 18-3-2019)

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