Clarimundo e o Siriano – 7 de 10
“Clarimundo faz um gesto apaziguador.
- Está bem. Não se exalte. Vamos dizer
que alguma coisa do que se conta de Mussolini seja verdade...
- Giá...
Mais calmo, Fiorello torna a sentar-se.
- Tudo isso está errado, seu Fiorello. E
sabe quem é que vai aclarar a história? É o meu homem de Sírio.
- O sírio?
Clarimundo sorri, com benevolência.
- Não, homem. Não. Eu explico. Estou
escrevendo um livro...
- O senhor mesmo?...
- Sim, eu. Trata-se dum homem que lá de
Sírio... O senhor sabe o que é Sírio? É uma das estrelas mais brilhantes do
firmamento. Pois, como eu dizia, trata-se dum homem que lá de Sírio, por meio
dum telescópio mágico, olha a terra e descobre a verdade das coisas.
- Veja só...
- Essas histórias todas de Mussolini, de
crise econômica, de comunismo, tudo isso
vai aparecer sob um aspecto novo.
- Giá.
- O meu homem de Sírio fará revelações
sensacionais...
- O senhor já botou tudo no livro?
- Ainda não. Qualquer dia destes começo a
escrever o prefácio da obra...
Prefácio.
Fiorello não entende mas sacode a cabeça, numa aquiescência.
Clarimundo aproxima-se da janela, com um
ar satisfeito e sereno fica contemplando o céu, como se fosse proprietário de
todas as estrelas, de Sírio e das outras.”
(“Caminhos Cruzados”, Érico Veríssimo,
Páginas 184-185.)
(Marcos
Nunes Filho – 29-4-2019)

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