segunda-feira, 29 de abril de 2019

Os Aliens e Nós - Parte 101


      Clarimundo e o Siriano – 7 de 10

      “Clarimundo faz um gesto apaziguador.
      - Está bem. Não se exalte. Vamos dizer que alguma coisa do que se conta de Mussolini seja verdade...
      - Giá...
      Mais calmo, Fiorello torna a sentar-se.
      - Tudo isso está errado, seu Fiorello. E sabe quem é que vai aclarar a história? É o meu homem de Sírio.
      - O sírio?
      Clarimundo sorri, com benevolência.
      - Não, homem. Não. Eu explico. Estou escrevendo um livro...
      - O senhor mesmo?...
      - Sim, eu. Trata-se dum homem que lá de Sírio... O senhor sabe o que é Sírio? É uma das estrelas mais brilhantes do firmamento. Pois, como eu dizia, trata-se dum homem que lá de Sírio, por meio dum telescópio mágico, olha a terra e descobre a verdade das coisas.
      - Veja só...
      - Essas histórias todas de Mussolini, de crise  econômica, de comunismo, tudo isso vai aparecer sob um aspecto novo.
      - Giá.
      - O meu homem de Sírio fará revelações sensacionais...
      - O senhor já botou tudo no livro?
      - Ainda não. Qualquer dia destes começo a escrever o prefácio da obra...
      Prefácio. Fiorello não entende mas sacode a cabeça, numa aquiescência.
      Clarimundo aproxima-se da janela, com um ar satisfeito e sereno fica contemplando o céu, como se fosse proprietário de todas as estrelas, de Sírio e das outras.”
      (“Caminhos Cruzados”, Érico Veríssimo, Páginas 184-185.)



(Marcos Nunes Filho – 29-4-2019)

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