Medo e Pânico – 2 de 3
Dez anos mais tarde, Jean Nocher também
provocou um pânico de respeito. Apaixonado pelos discos voadores de motor fotônico
e pela antimatéria, previu a colocação em órbita de bombas nucleares. A 4 de fevereiro
de 1946, uma emissão de vinte e quatro minutos originaria um escândalo espantoso
na França. Maurice Thorez propôs mesmo, em conselho de ministros, a prisão
imediata de Jean Nocher. É curioso referir que nem a Radiodifusão Francesa nem
o próprio Nocher pretendiam aterrorizar o público. Muito pelo contrário, pois
tinham-se sucedido sete comunicados ao longo da semana anterior à emissão de
ficção científica. No entanto, um esquecimento teve consequências
desagradáveis: o último comunicado, que esclarecia que se tratava de um produto
da imaginação, não foi difundido a preceder a transmissão, como estava
previsto, o que criou uma verdadeira psicose de medo. Não se tratava, como no
programa de Orson Welles, de uma guerra entre o nosso planeta e invasores do
espaço, pois Jean Nocher imaginara um tema não menos angustiante: o
desenvolvimento de uma enfermidade devida à radioatividade.
(“A Ciência Face aos Extraterrestres”,
Jean-Claude Bourret, Publicações Europa-América, Lisboa, s/d, Págs. 96-97.)
(Marcos
Nunes Filho – 23-5-2020)

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