sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Os Aliens e Nós - Parte 378


      “ ‘É agora que vai me tomar por um louco... quando lhe disser que quase os vi... eu... numa noite dessas. O senhor sabe, ou talvez não saiba, que estamos na época das estrelas cadentes. Na noite de 18 para 19, principalmente, veem-se todos os anos uma quantidade enorme; é provável que, nesse momento, passemos através dos destroços de um cometa.
      ‘Estava sentado na Mane-Porte, nessa enorme falésia em forma de perna que dá um passo para o mar, e observava essa chuva de pequenos mundos sobre a minha cabeça, isso é mais divertido e mais belo do que fogos de artifício, senhor. De repente, avisto acima de mim, muito perto, um globo luminoso e transparente, rodeado de asas imensas e palpitantes, pelo menos pensei ver asas na semiobscuridade da noite. Fazia curvas como um pássaro ferido, girava sobre si mesmo com um grande ruído misterioso, parecia ofegante, agonizante, perdido. Passou diante de mim. Parecia um monstruoso balão de cristal cheio de seres enlouquecidos que mal se distinguiam, mas que se agitavam como a tripulação de um navio em perigo, já sem leme, e que rola de onda em onda. E o estranho globo, tendo descrito uma enorme curva, foi cair ao longe, no mar, onde ouvi a sua queda profunda semelhante ao ruído de um tiro de canhão.
      ‘Todos na região, aliás, ouviram esse choque formidável que foi confundido com um trovão. Só eu vi... vi... Se tivessem caído na costa perto de mim, teríamos conhecido os habitantes de Marte. Não diga nada, senhor, reflita, reflita muito e depois, se quiser, conte isto um dia. Sim, eu vi... eu vi... o primeiro navio aéreo, o primeiro navio sideral lançado no infinito por seres pensantes... a menos que tenha assistido simplesmente à morte de uma estrela cadente capturada pela Terra. Porque o senhor não ignora que os planetas caçam os mundos errantes do espaço como nós perseguimos aqui os vagabundos. A Terra, que é leve e fraca, só pode deter, em seu caminho, os pequenos passageiros da imensidão’.”

      (“Contos Fantásticos”, Guy de Maupassant, L&PM, Porto Alegre, 2002, in “O Homem de Marte”, conto de 1889, Páginas 136-137.)



(Marcos Nunes Filho – 31-1-2020)

      AQUI NA TERRA SÓ EXISTEM DOIS PODERES: O DINHEIRO E AS ARMAS. TODOS OS DEMAIS SISTEMAS DEPENDEM DO 1º. ALGUNS, DO 2º.























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