quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Os Aliens e Nós - Parte 377


      “-   Acredita que os outros planetas sejam habitados?
      Respondi sem hesitar e sem parecer surpreso:
      ‘Sem dúvida, acredito’.
      Ele ficou emocionado, demonstrando uma grande alegria; levantou-se, tornou a sentar-se, tomado pelo desejo evidente de apertar-me em seus braços, e exclamou:
      ‘Ah! Ah! Que sorte! Que felicidade! Que alívio! Mas como pude duvidar do senhor? Um homem não seria inteligente se não acreditasse que os mundos são habitados. É preciso ser um tolo, um cretino, um idiota, um estúpido, para supor que os milhares de universos brilham e giram unicamente para divertir e maravilhar o homem, este inseto imbecil, para não compreender que a Terra é apenas uma poeira invisível na poeira dos mundos, que todo o nosso sistema não passa de algumas moléculas de vida sideral que morrerão em breve. Veja a Via Láctea, esse rio de estrelas, e pense que é apenas uma mancha na extensão que é o infinito. Pense nisso somente por dez minutos e compreenderá por que não sabemos nada, não deciframos nada, nem compreendemos nada. Só conhecemos um ponto, não sabemos nada para além dele, nada fora ele, nada de parte alguma, e acreditamos, e afirmamos. Ah! ah! ah! Se de repente nos fosse revelado esse segredo da grande vida extraterrestre, que assombro! Mas não... mas não... sou um estúpido também, não o compreenderíamos, porque o nosso espírito só foi feito para compreender as coisas desta Terra; ele não pode ir mais longe, é limitado, como a nossa vida, preso a esta pequena bola que nos transporta, e julga tudo por comparação. Veja, portanto, como todo mundo é tolo, limitado e convencido do poder da nossa inteligência que mal ultrapassa o instinto dos animais. Não temos nem mesmo a faculdade de perceber a nossa imperfeição, somos feitos para saber o preço da manteiga e do trigo e, no máximo, para discutir sobre o valor de dois cavalos, de dois barcos, de dois ministros ou de dois artistas.
      É tudo. Somos aptos apenas para cultivar a terra e nos servir desajeitadamente do que existe sobre ela. Mal começamos a construir máquinas que andam, ficamos admirados como crianças a cada descoberta que deveríamos ter feito há séculos, se fôssemos seres superiores. Ainda estamos cercados pelo desconhecido, mesmo neste momento em que foram necessários milhares de anos de vida inteligente para entrever a eletricidade. Somos da mesma opinião?’
      Respondi rindo:
      'Sim, senhor.’ ”
      (“Contos Fantásticos”, Guy de Maupassant, L&PM, Porto Alegre, 2002, in “O Homem de Marte”, conto de 1889, Páginas 130-131.)


(Marcos Nunes Filho – 30-1-2020)

ECONOMIA DOS ALIENÍGENAS: PRODUÇÃO E CONSUMO COLETIVISTA E AUSÊNCIA DE DINHEIRO E SISTEMA FINANCEIRO.
























Nenhum comentário:

Postar um comentário