“O Enviado falou bem, com uma candura e
insistência comoventes. Há nele uma inocência que eu achava estranha e
infantil; mas, em outras ocasiões essa aparente candura revela uma disciplina
de conhecimento e uma grandeza de finalidades que me impressionam. Através dele
sinto que fala um povo perspicaz e magnânimo, uma raça que juntou numa única
sabedoria todas as velhas, terríveis e profundas experiências de vida. Mas ele
é jovem, e, assim sendo, impaciente e sem vivências. Ele está em nível mais
alto que nós, e tem uma visão ampla, maior que a nossa, mas ele próprio, como
pessoa humana, não passa de uma dimensão do homem.”
(“A Mão Esquerda da Escuridão”, Ursula K.
Le Guin, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1979, Página 126.)
(Marcos
Nunes Filho – 26-9-2019)

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