“O ar estava completamente límpido, ao
que parecia, do chão árido até os confins do espaço sideral. De horizonte a
horizonte não havia luzes feitas pela mão humana para obscurecer a vista.
Milhares de estrelas, talvez dezenas de milhares delas, brilhavam lá em cima,
como joias em uma cúpula negra de veludo. Borrifos de minúsculos pontinhos de
cores sutis, sóis brancos fulgurantes em constelações regulares adornando os
céus; a idade dos astros é impossível de se medir em anos humanos: eles estão a
anos-luz de distância, mas é como se fosse quase possível tocá-los com as mãos.
Danny recuou a cabeça para dentro do
carro, endireitou-se no banco e abaixou o vidro, enquanto Kearns ligava de novo
os faróis e o aquecedor para esquentar o interior do furgão.
- Valeu, cara, eu estava sentado aqui
precisando mesmo de um pouco de perspectiva.
- Isso aí meio que faz o sujeito enxergar
seu lugar, não é? – comentou Kearns. – É de lá que a gente veio, e é para lá
que um dia a gente vai voltar.”
(“A Janela de Overton”, Glenn Beck,
Editora Novo Conceito, Ribeirão Preto, São Paulo, 2011, Página 218.)
(Marcos
Nunes Filho – 2-6-2019)

Nenhum comentário:
Postar um comentário